Ter, 28 de Agosto de 2012 13:25

GO: em luto, mas, na luta!

Em mais um dia de mobilização, servidores do Incra/MDA em Goiás vestiram-se de preto para mostrar o descontetamento e a indignação com a proposta apresentada pelo Governo Federal para a categoria. A greve continua! Temos que lutar pela proposta em que acreditamos e merecemos.
Publicado em Greve Incra e MDA 2012
Hoje (16), o Incra/GO não abriu as portas. A iniciativa de fechar os portões do órgão foi a forma encontrada pelos servidores em greve dizerem ao Governo Federal que não temem o corte de ponto e não aceitam o descaso pelo qual estão sendo tratados pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que insiste em não negociar e apresentar proposta de remuneração e reestruturação a esses funcionários.

Durante a tarde, servidores em greve dos dois órgãos federais participaram da solenidade de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2012/2013 em Goiás. O ato aconteceu na Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Estado de Goiás e foi conduzido pelos secretários de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Laudemir Müller, e pelo secretário estadual de Agricultura, Antônio Flávio.

 Após apresentação do Plano Safra pelo secretário Müller, servidores do Incra/MDA tomaram a palavra, da plateia mesmo, e informaram a todos os presentes a realidade vivida pelos dois órgãos: falta de pessoal, insuficiência de equipamentos e inadequação de estrutura física, além da carência de recursos para cumprir a maior parte de suas atividades de trabalho. Os servidores explicaram que não adianta o Governo Federal destinar mais recurso para o Plano Safra/Pronaf, se a Superintendência Regional do Incra em Goiás e a Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário não tem servidores suficientes para executar o programa. Eles informaram que, por falta de estrutura dos órgãos, boa parte do recurso anunciando com toda pompa vai voltar aos cofres do Tesouro Nacional para formar superávit primário. “Isso dói no coração do servidor, porque nós vemos a necessidade das pessoas lá no campo, mas, sabemos que elas terão terão poucas chances de acessar este crédito”, afirmaram.

O cerimonial do evento tentou interromper a fala dos servidores de Incra/MDA. Mas, um agricultor familiar presente ao evento interferiu e disse que os trabalhadores rurais estão cansados da falácia do Governo Federal. Ele parabenizou os servidores por trazerem a verdade à tona e afirmou que é necessário contar o que de fato acontece, já que os agricultores não tem voz!

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* Servidores públicos federais e estaduais protagonizaram hoje (9), no centro de Goiânia, uma das maiores manifestações ocorridas no Estado nos últimos tempos. O protesto conjunto foi contra o sucateamento do setor público e pela valorização do servidor. Centenas de trabalhadores da base do Sintsep/GO (Funasa, Ministério da Saúde, Cnem, Sesai, Agências Reguladoras, DNPM, Incra e MDA), do SINT-IFESgo e Fasubra (técnico-administrativos das instituições de ensino superior), do Sintfesp GO/TO (INSS, Ministérios da Previdência e da Saúde), do SinPRF (policiais rodoviários federais), Sinpef-GO (policiais federais), ASIBGE (servidores do IBGE), ANDES-SN (docentes do ensino superior), do movimento estudantil, da Ugopoci e do Sinpol-GO (policiais civis de Goiás) protestaram exigindo negociação por parte do governo Federal e do governo Estadual.

O movimento – um cortejo fúnebre no qual, simbolicamente, foram “cremados” ao final do evento a presidente Dilma Rousseff, os ministros Guido Mantega e Miriam Belchior, o governador Marconi Perillo e o secretário Estadual de Segurança Pública e Justiça, João Furtado – teve início na Praça Universitária, onde os trabalhadores se concentraram para sair em carreata, percorrendo trechos da 1ª Avenida, das Avenidas Anhanguera e Tocantins, encerrando na Praça Cívica, próximo ao Coreto da Avenida Goiás.

“Com a atitude que vem patrocinando, a presidente Dilma rasga a cartilha que professou durante toda a sua vida e entra para a história como uma das maiores traidores da classe trabalhadora brasileira”, afirmou o presidente do Sintsep-GO, Ademar Rodrigues, aos gritos de “Dilma, eu não me engano, você é vermelha mas tem bico de tucano”, numa alusão ao tratamento que é conferido hoje aos servidores, por parte do governo Federal, semelhante ao que foi conferido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que entrou para a história pelo massacre e sucateamento que promoveu ao setor público e aos direitos adquiridos dos trabalhadores públicos e privados.

Unidos na mesma causa – busca de negociação por condições de trabalho e valorização profissional – os policiais civis de Goiás engrossaram o movimento, exigindo negociação por parte do governo e a saída do secretário de Segurança Pública e Justiça, João Furtado, que intermediou reajustes apenas para os delegados de polícia, deixando em segundo plano os demais servidores. “Chega de Marconi, chega de João Furtado, chega de Cachoeira, chega de crime organizado dominando o governo de Goiás, instaurando sua política de insegurança pública”, gritaram os manifestantes.

Percebendo a importância do movimento dos servidores, os passantes e trabalhadores que presenciaram a marcha, no centro de Goiânia, acenavam com sinais positivos, compreendendo que o objetivo dos servidores é a valorização e a melhoria do serviço público, que é utilizado por toda a sociedade. “Não vamos aceitar de braços cruzados o sucateamento da educação, da saúde, da segurança pública, da reforma agrária, das áreas de regulação e fiscalização e de nenhum outro setor. Todos são importantes, todos devem ser valorizados. O governo não tem dinheiro para negociar, mas tem recursos para fazer graça a empresários e a credores internacionais, emprestando ao FMI o dinheiro que ele nos nega. Quem faz isso é um governo de mentira, abjeto, que tira de sua própria população, de seus trabalhadores, para repassar ao mercado internacional, fazendo bonito lá fora com o chapéu alheio, com o nosso dinheiro”, protestou Ademar.

A atividade, organizada pelas entidades do setor público federal e estadual, integra o Dia Nacional de Lutas, organizado nacionalmente pela Condsef e mais de 30 entidades representativas dos servidores públicos federais, em todas as capitais do país, neste dia 9 de agosto.

O que os servidores querem do Governo Federal?
- Definição da data-base (1° de maio);
- Política salarial permanente com reposição inflacionária, valorização do salário base e incorporação das gratificações (reajuste emergencial de 22,8%);
- Cumprimento por parte do governo dos acordos e protocolos de intenções firmados;
- Contra qualquer reforma que retire direitos dos trabalhadores;
- Retirada dos PL´s, MP´s, Decretos contrários aos interesses dos servidores públicos (PL 549/09, PL 248/98, PL 92/07, PL 1992/07 e demais proposições), supressão do artigo 78, da LDO, que define o prazo até 31/08, para encaminhar projetos de lei que reestrutura carreira e concede qualquer tipo de reajuste aos trabalhadores. Supressão dos artigos 86 e 87 que tratam da mudança de indenizar a insalubridade/periculosidade no PL 2203/11 e supressão do artigo 46 que trata da redução remuneratória aos médicos que têm sua carga horária regulamentada por lei no PL 2203/11;
-Concurso público;
- Paridade entre ativos, aposentados e pensionistas.

“Acampamento da Greve” na próxima semana

Para fortalecer a pressão junto ao governo, na semana entre os dias 13 e 17 de agosto, o Sintsep-GO, junto com os servidores em greve de todo o Brasil, vão se unir mais uma vez em Brasília na reedição do “Acampamento da Greve”. No dia 15, próxima quarta, os servidores vão protagonizar mais uma grande marcha na Esplanada dos Ministérios. Todas as atividades e os esforços seguem sendo feitos na expectativa de que o governo traga para a negociação uma proposta capaz de atender as reivindicações do conjunto dos federais. Para isso a mobilização deve ser reforçada e a pressão da categoria por respostas do governo às principais reivindicações do setor público deve ser intensificada.

*Com informações do Sintsep/GO

 

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Para fortalecer a mobilização, servidores do Incra e MDA em Goiás, em greve desde o dia 25 do mês passado, realizam de terça (10) até quinta-feira (12) workshop “Repensando a Reforma Agrária”. A oficina visa uma reflexão mais apurada das rotinas de trabalho desenvolvidas pelos órgãos.


O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Luiz Dourado, doutor em Políticas da Educação, abriu o ciclo de debates fazendo um convite aos servidores públicos de um modo geral. "O momento da greve deve ser um espaço para repensarmos nossas ações para além daquilo que realizamos, fazendo a compreensão do nosso papel social dentro de um cenário que é fragmentado e diversificado", afirmou.


Durante sua palestra, Dourado frisou que a greve do Incra é a mesma greve da UFG. Para o professor, os servidores públicos tem que se unir e passar a desenvolver ações de trabalho de forma intersetorial como forma de valorizar e fortalecer o serviço público. Na concepção do professor, a partir do momento que as atividades realizadas pelos órgãos públicos passarem a ser gestadas de forma complementar , o Brasil transcenderá a fase das políticas de governo para o nível de políticas de Estado.

"Como o projeto de reforma agrária diz respeito a nós que moramos nas cidades?", questionou. Dourado acredita que a fixação do homem no campo pode reverter o quadro de violência nos centros urbanos, além de ressignificar a forma de pensar a educação."É preciso disseminar a ideia de que garantir o acesso a terra é bom para todos nós", conclamou.

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